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Revista Literária Independente Trimestral

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rita

 

AN INTERVIEW WITH
RITA de KASIA A. AMARAL

author of the book LEVE MENTE HUMANA

 

 

ALM: Tell us about yourself and how many books you have written

Eu sou formada em história, cursando atualmente o meu doutorado. Toda a minha vida profissional foi voltada ao campo da pesquisa historiográfica, principalmente na tentativa de entender os processos de escravidão sofridos pelo povo africano ao longo dos séculos.
Sempre me cativou muito a cultura africana, afro-brasileira, como também a própria humanidade, a construção de suas culturas e os diversos modos de sermos na sociedade. Isso eu levei para a arte, para a escrita e a poesia.
Eu comecei escrevendo poesias, era e permanece sendo, a minha forma preferida de se conectar com o mundo ao meu redor e comigo mesma. Através da escrita eu tento compartilhar o que sinto, o que vejo, as minhas dúvidas e certezas, na esperança que outras pessoas possam ler e se identificar, ou se questionarem, até mesmo descordarem para que novas ideias possam ser constantemente trocadas e geradas.
Eu escrevi um livro, Leve Mente Humana (multifoco, 2016), e tenho um conto publicado por uma editora de forma livre, Conto do Não Conto (bestiário,2016), além de outros em revistas literárias.

ALM: Why do you write or what motivates you to write?

Essa é uma boa pergunta e como tudo que é bom, prazeroso, em nossa jornada, não existe um porque. É como se me perguntassem por que amamos, ou por que temos raiva, por que respiramos, por que sentimos. Escrever, para mim, é uma necessidade muita íntima, uma forma de sair de mim e de me auto-curar. Muitas vezes as palavras possuem um ritmo próprio, como uma água em correnteza, que não teria outro caminho a não ser sair de mim. É complicado explicar uma necessidade, muitas vezes inclusive física, de sentar em minha mesa, olhar a janela do meu quarto, me interiorizar e perceber o que estou sentindo, quais foram as coisas que vi e que me inspiraram, me chocaram, me revoltaram. Quais foram os olhares que troquei durante o dia que me fizeram criar personagens, histórias e fantasias. Tudo ao meu redor me motiva, até mesmo a ausência, o vazio, a tristeza, os medos. Tudo serve as palavras.

ALM: What is the title of your latest book and what inspired it?

Meu livro se chama Leve Mente Humana. No mundo atual em que vivemos, independente da cultura em que se insira, vemos repetições constantes de flagelos humanos, genocídios, corrupções e intolerância. Por que isso? Será que a humanidade nunca irá de fato perceber que a paz e o progresso que tanto busca está em suas próprias mãos?
Foi pensando em todas essas questões que um dia sentei em frente ao meu computador, olhando a baia pela minha janela, que resolvi começar a refletir sobre essas questões. Eu não sabia qual seria a narrativa e muito menos os personagens, mas conforme as palavras foram nascendo e criando forma, meu desejo era de que quem lesse pudesse ser levado a questionar a sociedade em que vivemos.
A escolha do nome Nanã para a personagem principal não foi aleatória. Esse nome remete-se a orixá Nanã, considerada pela mitologia africana como mãe de todos os outros orixás e responsável pela origem do mundo. Nanã representa o início, meio e fim na cultura africana, tanto o nascimento como a morte. Pensando assim que minha personagem principal, uma artista negra, nasceu para dar luz a luta de todos os povos que muitas vezes cegos perante a realidade que os cercam acabam por sofrer consequências terríveis devido à maldade humana.

ALM: How long did it take you to write your latest book and how fast do you write?

Escrever, para mim, não é um processo fácil. O livro Leve Mente Humana demorou um pouco mais de um ano para ser terminado, não porque sou perfeccionista ou revise muito a escrita, na verdade eu poderia dizer o contrário. Meu processo de escrita se inicia apenas quando me sinto inspirada para isso e nesses momentos as palavras transitam da minha mente de forma muito independente, fluída. Por essa mesma razão eu consigo passar dias, até meses, sem conseguir retornar e terminar a história, uma espécie de desconforto na escrita e no processo de ter que parar e deixar as ideias se transformarem em palavras. Não consigo me forçar a escrever ou criar metas de escrita, porém mesmo que meu processo criativo esteja muito ligado as minhas emoções, a escrita costuma transcorrer como água em rio. Costumo dizer que as ideias e as emoções que me guiam na hora da escrita e não ao contrário. Eu nunca começo uma história, seja conto ou poesia, sabendo exatamente do que se trata, quais são os personagens ou até mesmo a narrativa. Tudo vai se configurando no momento em que vou escrevendo, por isso até mesmo para mim tudo é uma grande novidade.

ALM: Do you have any unusual writing habits?

Eu gosto de ouvir músicas e elas vai se alterando conforme o meu humor, o tipo de sentimento que quero estar explorando. A música me ajuda muito a entender o ritmo que quero passar em minhas histórias, a melodia que eu gostaria que as palavras possuíssem para quem as estivessem lendo, o clima que eu gostaria que as pessoas sentissem e vivenciassem ao ler o que escrevo. No livro Leve Mente Humana eu me lembro de ouvir sempre a cantora italiana Arisa. A sonoridade, a simplicidade e o romantismo próprio da língua italiana, misturada com a voz leve e aveludada dessa cantora me despertava uma maior sensibilidade. Atualmente eu escrevi um conto, O velho sofá marrom, disponível no Sweek, para um concurso literário e as músicas de Frank Sinatra foram essenciais, principalmente Strangers in the Night.

ALM: What authors or books have influenced you?

Meu gosto literário é muito eclético. Comecei a minha aventura em meio aos livros quando tinha por volta de 10 anos de idade. Eu estudava em uma escola pública e a bibliotecária nos fazia toda sexta-feira pegar um livro. Nessa época eu tive contato com histórias que me inspiram até os dias de hoje, como O último dos moicanos, Fernão Capelo Gaivota, Memórias de uma Gueixa e O diário de Anne Frank. Depois que eu entrei na universidade eu me apaixonei pela Jane Austen, principalmente na ironia implícita em sua escrita, na forma suave e que passa quase despercebida por alguns leitores de criticar o papel da mulher no século XVIII e XIX. Gosto de livros cujas personagens principais são mulheres, principalmente quando são retratadas de forma complexa, sem linearidades, com defeitos e qualidades, não com submissão. Nesse campo eu adoro A cor púrpura de Alice Walker.

ALM: What is your best method when it comes to promoting your books?

Eu não sou muito boa no quesito promoção. Como eu não sou muito fã da exposição das redes sociais, não possuo perfis e isso acaba dificultando a divulgação. O que eu faço é participar de concursos literários, tentar trocar experiências com pessoas que convivem no cenário da literatura, além de publicar em revistas especializadas. Fora isso eu tenho investido em plataformas livres onde autores podem publicar suas histórias para quem tiver interesse, eu uso o Sweek e caso alguém tenha interesse o meu perfil é rita_kasia.

ALM: Do you have any advice for new authors?

Eu me considero uma escritora nova, completamente iniciante. Atualmente a publicação não define você como escritor. O mercado editorial não auxilia quem é desconhecido e tem uma proposta de trabalho diferenciada do que temos visualizado entre os best-seller. O que eu levo para mim e que poderia compartilhar com meus colegas que estão lutando, assim como eu, para serem lidos e dividirem experiências com leitores, é a de não se deslumbrar com o mercado editorial. Não esperem um sucesso imediato e nem alterem a sua forma de escrita para se adaptar ao mercado. Acreditem no seu talento, estudem, tentem sempre melhorar, procurem conversar com os professores no campo da literatura, eles sempre tem muito a acrescentar. Fora isso tenham coragem de se expor, enviem seus textos para concursos, revistas, tanto as críticas quanto os aceites só tem a acrescentar e nos incentivar.

ALM: What is the best advice you have ever heard?

Minha irmã é pesquisadora na área da literatura e ela sempre me disse que o que define um bom escritor é a sua dedicação na linguagem, na estética de suas palavras, na forma com que ele propõe uma história. Isso sempre me desafiou e continua me desafiando. Eu busco sempre pensar não só nas emoções que eu quero passar, nas reflexões que quero compartilhar, mas também em como posso fazer isso. Qual seria a melhor forma de transmitir isso? Quais as palavras que melhor se encaixam? Quais as brincadeiras com verbos, pronomes, eu posso fazer? Tem como misturar a poesia dentro de um conto? Assim eu vou tentando entender o que eu sinto e o quanto melhor eu posso me dar para o leitor entrar nessa dinâmica comigo e se deixar tocar.

ALM: What are you reading now?

No momento eu estou lendo A festa da insignificância, do Milan Kundera.

ALM: Thank you Rita. Good luck with your writings. Abraços.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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