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ADELAIDE Independent Quarterly Literary Magazine / Revista Literária Independente Trimestral, New York / Lisboa, Online Edition  

 




 

 



 

 

 

 

PALAVRAS
By Pierre Sotér





Palavras
to the memory of António Aleixo

          
P’ras palavras serem fundas,
e da vida também parte,
não precisam ser fecundas,
nem sequer de muita arte.

Há palavras vagabundas,
e outras que são estandarte,
há palavras tão rotundas,
de paixão, amor que parte.

Nem primeiras nem segundas,  
nem da Terra nem de Marte,
há palavras furibundas,
que não vão querer deixar-te.

Se de palavras te inundas
melhor fora que destarte,
donde forem oriundas
haja mais e não te farte.

Há palavras que não morrem, 
são aquilo que não arde,
há palavras que socorrem,
mesmo quando chegam tarde.

 

 

 

 

Levou o que deixava

Sem saber porque partira
nem tão pouco o que o esperava,
sem perceber o que vira
nem perguntar onde estava,
prosseguiu meio à deriva
sem lembrar o que deixara.

Sem saber o que levara,
foi usando o que encontrava,
sem amores que tanto amara
passou enquanto passava,
por onde a alma se esquiva
por onde o corpo se ampara.

Depois do muito que andou,
da distância que fartava,
parou num bosque e escutou
aquele som que encantava,
sonhou e achou que reinava
onde nunca imaginou.

Subiu ribeiros e rios,
desceu encostas de lava,
encaixou estios e frios
e a fome que levava,
mais aquilo que enfrentava
entre tramas e gentios.

E tanto tempo passou
que já sem tempo ficava,
viveu, amou e sonhou,
não quebrou quando quebrava,
e levou o que deixava
quando a vida o deixou.

 

 

 

 

First I have to rover

I’m looking for an ample sycamore
with giant bows under which I can rest,
and enjoy the siege of a burning sun,
tall, to climb above any crawling pest.
I’m looking for a slender apple tree,
with the fruits that once were for temptation,
quell my starving and then the spell set free,
that has cost mankind so much frustration.
I am looking for a four-leaf clover,
for faith, for hope, for luck and for my love,
for what my soul tells me to discover,
below, beside, in front, high above.

I’m looking for the tree I see thereover,
I’ll get there, but first I have to rover.

 

 

 

 

Under my bonnet

I came from afar and you are from here,
while you are the star, I am just the queer,
when I give you such humble smelling flowers,
you just smile to me and switch on my powers.
Difficult it’s not, to write all these rhymes,
nor to offer you, some more rosy lines,
difficult it is, to win each day your love,
and from where I am, to reach your world, above.
What is it you have, that I much admire?
What is in your gait, that puts me on fire?
Is it what I sense, that is in your essence?
Is it what I feel, when I’m in your presence?

I’d better stop now, and keep it a sonnet,
while the rest it stays, all under my bonnet.

 

 

 

About the Author:

Pierre Sotér is the pen name of a Portuguese engineer with a Ph.D. in environmental hydraulics. After thirty years of international activity in engineering, he now dedicates his time to poetry, philosophy and photography. Pierre Sotér writes in English and Portuguese.


 




 




 

 

 

     
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