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pedro simoes

 

MAR REVERSO

PEDRO ABREU SIMÕES nasceu (já emigrante) a 16 de novembro de 1972, no Luxemburgo. Pouco depois de ter completado o primeiro ano de idade, veio para Portugal.  Passou a infância e a adolescência na aldeia paterna (que passou a ser sua), no concelho de Mortágua. Frequentou o Curso de Línguas e Literaturas Modernas na Faculdade de Letras da Universidade Clássica de Lisboa. Por razões laborais, mudou-se em 2004 para o Algarve, estando há vários anos a residir em Portimão. Depois de ter navegado em tantas águas, planeia o regresso às fontes da terra que já era sua, mesmo antes de nascer.

Obra publicada:
MAR REVERSO (Ecos da Terra, do Mar e da Vida), Lisboa: CALÇADA DAS LETRAS, 2015. ISBN 978-989835262-0

 

MAR REVERSO

Eu tenho um mar inteiro à minha espera,
na praia que me acolhe ao fim do dia,
com águas ressurgidas da quimera,
que afogam, no seu leito, a nostalgia!...

Marulha, neste inverno, a primavera,
trazendo um sol sereno à noite fria!...
Mergulho, sem pensar em quem eu era,
nas vagas doutra luz que me inebria!...

Eu mato o meu marasmo nas marés,
fazendo do meu barco sem destino,
a nau que há de alcançar outro universo!...

Nos versos destas ondas sem revés,
sou puro como os sonhos dum menino
e vejo-me a fluir num mar reverso!

(in MAR REVERSO (Ecos da Terra, do Mar e da Vida), Lisboa: CALÇADA DAS LETRAS, 2015. ISBN 978-989835262-0)

 

OÁSIS DE PALAVRAS

Liquefaço-me nas palavras,
tornando-as minhas,
como se elas fossem um oásis
no deserto mais agreste...

Faço nascer nelas
fontes de águas frescas
que nunca deixam secar os rios...

No leito das palavras,
faço brotar ribeiros mansos
e acalmo temporais no mar de inverno!...

Mesmo que tudo secasse em meu redor,
ainda teria miragens infindáveis,
feitas de miríades de palavras,
desejosas de matar-me a sede!...

Sorvo-as sofregamente...
Depois de saciado,
deixo-as correr,
para que saciem outras vontades...

O oásis das minhas palavras
passa  assim a ser
de todos os que o sentem
e podem ver!...

(in MAR REVERSO (Ecos da Terra, do Mar e da Vida), Lisboa: CALÇADA DAS LETRAS, 2015. ISBN 978-989835262-0)

 

VINHA DO DESERTO

Quiseste fazer vinho no deserto
e tantos te vaiaram com desdém!...
Num chão de areia seca, a céu aberto,
plantaste a tua vinha sem ninguém!...                

Sonhaste e o que era longe fez-se perto…
Na areia ressequida, viste além!...
Videira após videira, em chão incerto,
a vinha enraizou-se e deu-se bem!...

Chegada a hora doce da colheita,
até quem te vaiou já se deleita
com tantos cachos ébrios de sabor!...

A vinha que plantaste na secura
vingou, mesmo sem água, em pedra dura…
E todos te erguem taças em louvor!

(a publicar no próximo livro “POEMAS POR SER”)

 

O ESCRITOR E O TABERNEIRO
                                        
Pouco faltava para as dez da manhã e a rua já girava num turbilhão de palavras.
Atrás do balcão riscado da taberna, um homem de baixa estatura, em bicos de pés, tentava alisar a barba descuidada. (Parecia dez anos mais velho do que consta no cartão de cidadão.)
– Bom dia, escritor!
A voz do taberneiro ressoou num tom que denotava despeito e sarcasmo…
– Então, trabalhou muito esta noite?
– Bom dia, Gaspar! – respondi ainda ensonado.
– Então, diga lá, amigo escritor... É um café cheio em chávena escaldada?
– Sim… É o costume…
– Diga-me uma coisa, escritor… Como é que alguém sabe que sabe escrever? – perguntou o homenzinho empertigado.
Abri o pacote de açúcar como se o tempo não existisse. Misturei-o calmamente no café, afagando a espuma.
– Então, não diz nada, amigo escritor? Como é que alguém sabe que sabe escrever?
Ergui a chávena, soprei e bebi o primeiro gole… E só depois respondi.
– Em primeiro lugar é preciso conhecer todas as letras do alfabeto!...
– Então, isso até o meu Bruno sabe e só tem oito anos!...
– E você sabe?
– Então não havia de saber?!
Bebi mais um gole de café e senti um incêndio nas cordas vocais.
– Se assim é, também sabe que o meu nome começa por P, a décima-sexta letra do alfabeto…
– Claro que sei, amigo escritor!...
– Então, chame-me Pedro, amigo taberneiro! O meu nome não começa por E!...
Acabei o café, paguei e despedi-me, pesando as palavras.
– Até logo, Gaspar!
– Até logo, amigo poeta!
O dia fez-se alfabeto. O homem empertigado já chegara à minha letra inicial…

(texto a publicar futuramente em livro ainda sem título)

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